Comecei por limpar as manchas na pele dos animais, com o auxílio de uma escova dos dentes velha e gasta. As escamas da truta tinham de saltar fora pois apodrecem muito facilmente, o que é de evitar. Seguidamente, uni a parte dianteira da iguana com a parte traseira da truta. Enchi o interior com desperdício de tecido, o tubo com o meu sangue e um pouco de anti-traça (mecanismo de defesa). Suturei o conjunto e Voilá! O resultado foi este. Espero que gostem.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Ponto de Situação #8 - Taxidermia Final
Comecei por limpar as manchas na pele dos animais, com o auxílio de uma escova dos dentes velha e gasta. As escamas da truta tinham de saltar fora pois apodrecem muito facilmente, o que é de evitar. Seguidamente, uni a parte dianteira da iguana com a parte traseira da truta. Enchi o interior com desperdício de tecido, o tubo com o meu sangue e um pouco de anti-traça (mecanismo de defesa). Suturei o conjunto e Voilá! O resultado foi este. Espero que gostem.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Ponto de Situação #7 - Recolha de Sangue
Não sei como descrever a minha experiência de recolha de sangue, dado que não foi um caso único. Não foi a primeira vez que recolhi sangue e acabou por ser igual a todas as outras vezes.
Um pormenor positivo da recolha de sangue no local onde foi feito é o facto de não cheirar constantemente a éter como acontece em todos os Hospitais. Fico sonolento com o cheiro a éter e isso deixa-me desconfortável.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Ponto de Situação #6 - Recolha de Sangue
terça-feira, 29 de abril de 2008
Verdelhos - 25 a 27 de Abril
Posso simplesmente relatar os factos. Tive numa casa de xisto, no meio do nada. Sem electricidade ou luz artificial, sem estrada de acesso (tem um caminho de cabras). Mais recôndito e natural não pode haver. Simplesmente ... inclassificável.
Inicialmente, mesmo antes de ir passar lá o fim-de-semana, já estava a pensar escrever a experiência neste blogue, dado que este fim-de-semana foi a razão pela qual deixei o trabalho adiantado e porque a minha necessidade de relacionamento social e de tranquilidade acaba por condicionar o projecto. Foi essencial e correu muito bem.
Agora, esta necessidade de escrever neste blogue acaba por se tornar uma "obrigação" porque decidi, enquanto estive lá, que vou colocar o animal naquele meio. Naquela Natureza. O local onde estive parece reunir todas as condições para "libertar" a minha criatura.
Não digo mais nada, deixo a imagem falar por ela mesma.
foto: Susana Serro
Ponto de Situação #5 - Taxidermia Final
Não cheira tão mal quanto se imagina. Face à iguana e à truta arrisco-me a dizer que cheira a rosas. Talvez esteja a exagerar vá. Não custou muito, talvez por estar à espera de um cheiro horrendo.
Fui retirando a pele, a pouco e pouco, neste caso não foi necessária tanta delicadeza devido à resistência da pele. Aliás, era necessário muita força. Tanta que ao acabar de soltar os músculos da iguana do corpo, patas e crânio, já estava completamente derrotado. O enjoo derivado ao cansaço, mudança constante de odores, temperaturas, experiências tácteis e visuais insurgia cada vez mais com mais rigor. Ao acabar o assunto com a iguana estava perto de ficar por ali e continuar noutro dia. Só a imagem de tranquilidade de Verdelhos que me surgia esporadicamente na mente me conseguiu evitar a desistência antecipada.Eram agora 3:20h da manhã do Dia da Revolução (25 de Abril) quando comecei com o último animal. Nunca neste dia me senti tão revoltado. Estava a viver o 25 de Abril que nunca vivi. A minha revolução em todos os sentidos e a revolução das coisas à minha volta naquela cave fazia-se notar a qualquer um que por lá decidisse aparecer. Felizmente que ninguém o fez.
O peixe (truta) foi, sem dúvida alguma, o mais difícil e nojento (era, não consigo escondê-lo). A frescura e viscosidade atravessava as grossas luvas azuis de borracha. Parecia que estava a mexer no animal de mãos nuas.
O cheiro era brutalmente venenoso. Já não sentia cheiro a peixe. Era tudo uma mistura do pior cheiro que se pode imaginar. Coisa que não é possível fazer. Confesso que tive vontade de vomitar, o que é um ponto para os animais. Eu muitíssimo raramente vomito e aquela experiência sensorial toda junta estava a conseguir ganhar pontos sobre mim.segunda-feira, 21 de abril de 2008
Ponto de Situação #4 - Experiência Taxidermia

Enfim ... contagiado o espaço, só me resta prosseguir. A música foi a minha principal força. Nem sei ao certo o que estava a ouvir. Algumas músicas electro que o meu irmão me tinha acabado de passar para o computador estavam "aos berros" a ser reproduzidas ao longo da sala. O único papel da música naquele momento era o de substituir a atenção do olfacto pela audição. Ao manter a concentração focada na música abstraía-me do cheiro. Era facto e por mim tudo bem.
À medida que continuava a libertar a pele do resto do corpo, delicadamente, com o auxílio do bisturi, imagens do livro técnico de Taxidermia que vou revendo (Taxidermia - Embalsamamento de Pássaros e Mamíferos da autoria de Harry Hortjaa) surgem-me sob a forma de sinapses electricamente estimuladas. Nunca tinha lido como embalsamar um réptil, mas deduzi e bem (acho eu) que não haveria de estar muito longe da prática de taxidermia em mamíferos que tinha lido, re-lido e enjoado de ver imagens e videos.
"Corta aqui e ali, agora dá a volta, solta, cuidado com as patas, isso, muito bem, ups ... não interessa, para a próxima já não me engano. Continuando". Pensava eu. Fiz um conjunto de asneiras. Saudáveis. Nada de grave. Afinal de contas esta experiência serviu para isso mesmo. "Quanto mais asneiras fizer, mais asneiras me vou lembrar que fiz na Taxidermia Final".
Acabei esta minha experiência com um ... "Isto nem é assim tão difícil, embora já não sinta o meu próprio cheiro" ...
terça-feira, 15 de abril de 2008
Ponto de Situação #3 - Recolha dos animais
A minha criatura foi inicialmente pensada com este aspecto, pela facilidade que representa encontrar cada um destes quatro animais
mortos. Nunca imaginei, quando pus na cabeça fazer este projecto, que seria mais fácil encontrar animais exóticos mortos do que aqueles que vemos no quotidiano como um rato ou um esquilo. A realidade é que, pensando bem, até faz sentido, pelo menos na cabeça de quem tem por hábito guardar animais mortos no congelador do Combinado como é o caso do Sr. Arlindo. terça-feira, 1 de abril de 2008
Como será a aplicação prática do projecto Brh+ ?
Inicialmente, imaginei a exposição do meu trabalho do seguinte modo:
.o produto final ou criatura embalsamada em cima de uma caixa ou de um plinto branco como local de destaque (à semelhança das esculturas), acompanhado da ficha técnica (com inclusão de uma sinopse e o endereço do blogue) e acompanhado ainda de um pequeno leitor de DVD portátil, onde passaria em loop todo o processo de trabalho documentado.
Esta pareceu-me a melhor solução para expor o meu projecto, dada a importância dos vários elementos que o compõem (conceito, processo e produto).
Agora que fui alertado para esta questão pelo orientador do projecto apercebi-me que nem sempre o modo mais típico de exposição de um trabalho artístico é o melhor ou ideal. Na realidade, mesmo para o conceito deste projecto não tem muita lógica expor a criatura como um troféu ou como objecto artístico. A verdade é que tenho vindo a pensar bastante sobre a sua aplicação prática mas nunca achei necessário, até agora, tê-la já determinada.
Agora apercebo-me da importância da sua aplicação e decidi fazer algo que me ocorreu mas me custou determinar como algo que irei efectivamente fazer.
Depois de concluída e documentada a criação da nova criatura irei libertá-la na natureza, num local ermo, longe dos perigos que os Homens representam e perto dos perigos dos seus predadores naturais, bactérias e seres de decomposição orgânica. Creio que só assim tem lógica a exposição desta criatura, não sendo vista como obra de arte, mas sim como um ser. A aproximação da criatura com a natureza dá-lhe os elementos necessários para viver. Um ser condicionalmente morto que vive. Como todos nós, mas sem a sua condicionante. Enfim ... Pormenores.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Ponto de Situação #2
Tenho vindo nos últimos dias a contactar todas as entidades que recolhi contactos, que achei, por qualquer razão, que me pudessem ajudar.
Sábado, 22 de Março de 2008
Fui ao Zoo da Maia para tentar adquirir animais mortos, mas tive pouca sorte. O Veterinário e responsável pelos animais do Zoo não estava. Só segunda-feira poderia contactar com ele no Zoo. Visto que neste último fim-de-semana foi Páscoa, não havia muito que pudesse fazer.
Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Em vez de ir ao Zoo, liguei para lá e deram-me o contacto do Veterinário, Dr. Nuno Alvura. Liguei-lhe logo de seguida e combinamos uma reunião rápida e informal para terça-feira. Aproveitei então o dia, primeiro para procurar ácido fórmico (o qual não existia na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, nem no Instituto de Medicina Legal, nem no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, nem mesmo em nenhuma das muitas drogarias e farmácias onde procurei (listadas no “Ponto de Situação #1”). Desisti de procurar ácido fórmico, pelo menos por enquanto.
Fui com a minha irmã até Alfena, falar com o Sr. Arlindo Araújo. Embalsamador e Sócio-Gerente de “O Pantanal – Comércio de Animais de Estimação”. O encontro com ele no “Pantanal” foi previamente combinado por contacto telefónico. Cheguei à loja e tivemos uma difícil troca de palavras, muito contida, pois o Sr. Arlindo faz questão de manter em segredo os truques do negócio, o que compreendo perfeitamente. Após ter explicado o meu projecto e com mais um pouco de conversa, o Sr. Arlindo disponibilizou-se a mostrar-me o seu frigorífico. O conteúdo do pequeno congelador do combinado agradou-me bastante, não pela condição dos animais que lá se encontram (ou seja, mortos), mas sim pela importância do papel que eles poderiam desenrolar no meu projecto.
Ao olhar para aquele pequeno frigorífico a transbordar das mais variadas espécies de animais, com as mais variadas cores, comecei imediatamente a tentar criar uma imagem mental de uma espécie híbrida, completamente diferente daquela que imaginei inicialmente para o projecto.
O combinado de rato, pardal, esquilo e morcego que imaginei inicialmente perdia aqui o sentido para um combinado de animais tão exóticos e extravagantes como uma iguana, cobras, doninhas, pássaros exóticos incrivelmente coloridos. O meu projecto pede nesta altura uma reformulação no que respeita à organização de ideias e criação de uma espécie diferente.
Infelizmente não tive possibilidade de filmar ou captar qualquer tipo de imagens do local, pessoas e acontecimentos, por se tratar de um primeiro contacto com uma pessoa estranha e uma empresa que até então desconhecia. Quando lá voltar para recolher alguns dos animais contidos naquele frigorífico, talvez surja a oportunidade de filmar.
Logo após visitar “O Pantanal”, fui directo a Vila do Conde, para aproveitar a maré de sorte pela qual estava a passar. Sem pré-aviso fui tentar contactar pessoalmente o Sr. Duarte Botelho, taxidermista da empresa “Terra Selvagem – Atelier de Taxidermia”.
Bastante mais acessível e muito simpático, o Duarte mostrou-me, quase sob a forma de visita guiada, tudo o que se passa num Atelier de Taxidermia de grande dimensão. Neste caso, ele deixou-me à vontade para filmar o local e a nossa conversa. Mas mesmo assim não quis insistir em filmar tudo para não haver qualquer tipo de desconforto. Curiosamente, o primeiro livro deste taxidermista foi aquele que uso de momento, como Bíblia da Taxidermia, o “Taxidermia – embalsamamento de aves e mamíferos” do dinamarquês Harry Hjortaa.
foto: Henrique Serro
Outra curiosidade relativa a este local é que estava repleta de ácido fórmico, aquilo que me fartei de procurar e não encontrei. Pedi-lhe um pouco e ele respondeu que me dava de bom grado, mas não me aconselhou a usar. Em vez disso deu-me 500gr de Alúmen (comummente usado em purificação de água, curtimento de couro, têxteis à prova de fogo, e produção de pão) e uma nova fórmula. Fico-lhe desde já muito agradecido.
Terça-feira, 25 de Março de 2008
Neste dia, fui então até ao Zoo da Maia, como combinado. Correu muito bem. Falei com o Veterinário Dr. Nuno Alvura e ele mostrou-se bastante empenhado em ajudar. Mais uma vez o meu Obrigado. Com um pouco de sorte (dependendo do resultado das burocracias necessárias), consigo arranjar através deste contacto, o morcego que tanto queria ver incluído no meu projecto.
Quarta-feira, 26 de Março de 2008
Para finalizar este meu ponto de situação, deixo aqui o registo escrito da minha visita ao Museu de História Natural da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Neste local, indicado pela minha irmã, vi centenas de espécies embalsamadas, das mais variadas proveniências a nível nacional e mundial. Foi uma visita essencial para perceber o tipo de desgaste que os animais podem sofrer com o passar do tempo, reparar quais as zonas do corpo dos diferentes animais que são mais frágeis. Funcionou quase como um centro de análise ostensiva a animais embalsamados. Era do meu agrado ter entrado em contacto com o responsável pelo museu, mas ele não se encontrava presente.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Ponto de Situação #1 - Materiais e Contactos
Alguns contactos e localizações levantados foram:
. O Pantanal - Comércio de animais de estimação – empresa de importação e exportação de animais situada em Alfena;
. Terra Selvagem - Atelier de Taxidermia – empresa dedicada à preparação de Troféus de Caça e objectos de decoração de interiores;
. Drogarias Moura, Louzada, Torrinha e Marília;
. Farmácias Vitália, Lemos, Sá da Bandeira, São Lázaro;
. Zoo da Maia;
. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto;
. Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar;
. Instituto de Medicina Legal;
. Museu de História Natural da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto;
. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
. Parque Natural Serras Aire e Candeeiros;
. Parque Biológico de Gaia.
Até ao momento apenas foram contactadas a empresa Terra Selvagem e as Drogarias e Farmácias, algumas por telefone e outras pessoalmente. As farmácias foram contactadas unicamente para procurar Ácido Fórmico (um dos “ingredientes” na fórmula do líquido de preparação da pele animal). Já as Drogarias foram contactadas pela mesma razão e para tentar encontrar materiais.
O deambular pela cidade é muito importante para a descoberta de materiais pois apercebi-me da existência de locais onde não há contacto disponível por nenhum meio de divulgação que conheço.
O mais importante contacto até agora foi feito pessoalmente na loja da Terra Selvagem em Matosinhos. Primeiro contactei a loja por telefone, expliquei a situação em que me encontro, dirigi-me à loja e falei com a gerente, Daniela Borges. Extremamente simpática, a Daniela indicou-me o contacto de Duarte Botelho (taxidermista da empresa) e apontou-me ainda algumas dicas relativamente à forma como deveria encaminhar o meu projecto, tendo em conta a escassez de tempo, recursos, conhecimento e experiência no ramo. Desde já o meu Obrigado!
