quarta-feira, 26 de março de 2008

Ponto de Situação #2

Neste “Ponto de Situação #2”, felizmente, posso relatar grandes avanços no meu projecto.
Tenho vindo nos últimos dias a contactar todas as entidades que recolhi contactos, que achei, por qualquer razão, que me pudessem ajudar.

Sábado, 22 de Março de 2008

Fui ao Zoo da Maia para tentar adquirir animais mortos, mas tive pouca sorte. O Veterinário e responsável pelos animais do Zoo não estava. Só segunda-feira poderia contactar com ele no Zoo. Visto que neste último fim-de-semana foi Páscoa, não havia muito que pudesse fazer.

Segunda-Feira, 24 de Março de 2008

Em vez de ir ao Zoo, liguei para lá e deram-me o contacto do Veterinário, Dr. Nuno Alvura. Liguei-lhe logo de seguida e combinamos uma reunião rápida e informal para terça-feira. Aproveitei então o dia, primeiro para procurar ácido fórmico (o qual não existia na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, nem no Instituto de Medicina Legal, nem no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, nem mesmo em nenhuma das muitas drogarias e farmácias onde procurei (listadas no “Ponto de Situação #1”). Desisti de procurar ácido fórmico, pelo menos por enquanto.
Fui com a minha irmã até Alfena, falar com o Sr. Arlindo Araújo. Embalsamador e Sócio-Gerente de “O Pantanal – Comércio de Animais de Estimação”. O encontro com ele no “Pantanal” foi previamente combinado por contacto telefónico. Cheguei à loja e tivemos uma difícil troca de palavras, muito contida, pois o Sr. Arlindo faz questão de manter em segredo os truques do negócio, o que compreendo perfeitamente. Após ter explicado o meu projecto e com mais um pouco de conversa, o Sr. Arlindo disponibilizou-se a mostrar-me o seu frigorífico. O conteúdo do pequeno congelador do combinado agradou-me bastante, não pela condição dos animais que lá se encontram (ou seja, mortos), mas sim pela importância do papel que eles poderiam desenrolar no meu projecto.
Ao olhar para aquele pequeno frigorífico a transbordar das mais variadas espécies de animais, com as mais variadas cores, comecei imediatamente a tentar criar uma imagem mental de uma espécie híbrida, completamente diferente daquela que imaginei inicialmente para o projecto.
O combinado de rato, pardal, esquilo e morcego que imaginei inicialmente perdia aqui o sentido para um combinado de animais tão exóticos e extravagantes como uma iguana, cobras, doninhas, pássaros exóticos incrivelmente coloridos. O meu projecto pede nesta altura uma reformulação no que respeita à organização de ideias e criação de uma espécie diferente.
Infelizmente não tive possibilidade de filmar ou captar qualquer tipo de imagens do local, pessoas e acontecimentos, por se tratar de um primeiro contacto com uma pessoa estranha e uma empresa que até então desconhecia. Quando lá voltar para recolher alguns dos animais contidos naquele frigorífico, talvez surja a oportunidade de filmar.
Logo após visitar “O Pantanal”, fui directo a Vila do Conde, para aproveitar a maré de sorte pela qual estava a passar. Sem pré-aviso fui tentar contactar pessoalmente o Sr. Duarte Botelho, taxidermista da empresa “Terra Selvagem – Atelier de Taxidermia”.
Bastante mais acessível e muito simpático, o Duarte mostrou-me, quase sob a forma de visita guiada, tudo o que se passa num Atelier de Taxidermia de grande dimensão. Neste caso, ele deixou-me à vontade para filmar o local e a nossa conversa. Mas mesmo assim não quis insistir em filmar tudo para não haver qualquer tipo de desconforto. Curiosamente, o primeiro livro deste taxidermista foi aquele que uso de momento, como Bíblia da Taxidermia, o “Taxidermia – embalsamamento de aves e mamíferos” do dinamarquês Harry Hjortaa.

foto: Henrique Serro

Um livro com mais de 20 anos. Devo o meu muito obrigado ao Duarte pelo apoio, conselhos dados e pela disponibilidade que mostrou para me ajudar no projecto.
Outra curiosidade relativa a este local é que estava repleta de ácido fórmico, aquilo que me fartei de procurar e não encontrei. Pedi-lhe um pouco e ele respondeu que me dava de bom grado, mas não me aconselhou a usar. Em vez disso deu-me 500gr de Alúmen (comummente usado em purificação de água, curtimento de couro, têxteis à prova de fogo, e produção de pão) e uma nova fórmula. Fico-lhe desde já muito agradecido.

Terça-feira, 25 de Março de 2008

Neste dia, fui então até ao Zoo da Maia, como combinado. Correu muito bem. Falei com o Veterinário Dr. Nuno Alvura e ele mostrou-se bastante empenhado em ajudar. Mais uma vez o meu Obrigado. Com um pouco de sorte (dependendo do resultado das burocracias necessárias), consigo arranjar através deste contacto, o morcego que tanto queria ver incluído no meu projecto.

Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Para finalizar este meu ponto de situação, deixo aqui o registo escrito da minha visita ao Museu de História Natural da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Neste local, indicado pela minha irmã, vi centenas de espécies embalsamadas, das mais variadas proveniências a nível nacional e mundial. Foi uma visita essencial para perceber o tipo de desgaste que os animais podem sofrer com o passar do tempo, reparar quais as zonas do corpo dos diferentes animais que são mais frágeis. Funcionou quase como um centro de análise ostensiva a animais embalsamados. Era do meu agrado ter entrado em contacto com o responsável pelo museu, mas ele não se encontrava presente.
Nesta fase do projecto deveria já ter começado com a experiência de embalsamamento animal, no entanto não o fiz pois concentrei mais o meu tempo na procura de contactos de profissionais que me possam ajudar a realizar o projecto. Com o contacto do Sr. Duarte e a disponibilidade que demonstrou para ajudar, creio que não terei grandes dificuldades em questões técnicas que possam surgir.

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